Presidente da Alerj é preso por vazar informações que ajudaram TH Joias a destruir provas

Presidente da Alerj é preso por vazar informações que ajudaram TH Joias a destruir provas
8 dez, 2025
por Sandro Alves Mentes Transformadas | dez, 8 2025 | Justiça | 13 Comentários

Na manhã de quarta-feira, 3 de dezembro de 2025, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi levado em flagrante de prisão preventiva pela Polícia Federal em pleno centro do Rio de Janeiro. A operação, batizada de Unha e Carne, revelou um esquema de obstrução de justiça que envolveu o mais alto cargo legislativo do estado — e um dos mais poderosos líderes do crime organizado dentro das próprias paredes da Assembleia. Tudo começou com um simples telefonema, uma mensagem de texto e um caminhão de mudança que apareceu na casa de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o conhecido como TH Joias, horas antes de sua prisão em setembro.

Um dia antes da prisão, o aviso chegou

"Nunca, nunca o tinha visto na vida." Foi assim que Bacellar começou seu depoimento à PF. Mas os dados do seu celular contaram outra história. Nos minutos que antecederam a Operação Zargun, em 3 de setembro de 2025, o presidente da Alerj enviou e recebeu mensagens com TH Joias — e não eram sobre política. Imagens de câmeras de segurança mostram um caminhão de mudança chegando à residência do ex-deputado na manhã de 2 de setembro, às 7h15. Em menos de duas horas, móveis, caixas e equipamentos eletrônicos foram retirados. Ao amanhecer do dia seguinte, agentes da PF entraram na casa e encontraram apenas o vazio. O que havia sido apreendido? Documentos, contas, chaves de criptografia, e, segundo a PF, equipamentos usados para comunicação com o Comando Vermelho.

Na mesma manhã, TH Joias enviou fotos dos agentes da PF dentro de sua casa — e o telefone da sua advogada — diretamente para o celular de Bacellar. Isso não foi coincidência. A PF descobriu que Bacellar estava na lista de contato de emergência de TH Joias. A primeira. Antes de qualquer parente, antes de qualquer assessor. Um sinal claro de confiança. E de perigo.

Do gabinete à facção: o elo que ninguém via

TH Joias não era apenas um ex-deputado. Era um intermediário. Entre fornecedores de armas, traficantes do Complexo do Alemão e integrantes da facção criminosa. Segundo a PF, ele comprava equipamentos antidrones, financiava operações e lavava dinheiro para o Comando Vermelho. E tudo isso, com a proteção de alguém que tinha acesso a informações sigilosas da própria polícia. Bacellar, segundo as investigações, sabia disso. "Ah, o pessoal fala que é ligado a comando, sei lá o quê", disse ele durante o interrogatório. Mas o que ele fez depois disso foi muito mais que ignorar. Ele agiu.

A Operação Zargun, que prendeu TH Joias em 3 de setembro, foi o ponto de ruptura. O procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, já havia aberto investigação por tentativa de fuga e destruição de provas. Agora, a PF provou que a fuga foi planejada. E que foi orientada.

Os R$ 90 mil no carro e a prisão no porto

Os R$ 90 mil no carro e a prisão no porto

Durante a Operação Unha e Carne, agentes da PF cumpriram oito mandados de busca e apreensão. Um deles foi no gabinete de Bacellar. Outro, em sua residência. E no porta-malas de seu carro, encontraram R$ 90.000 em cédulas de R$ 100. Nada de contas bancárias. Nada de recibos. Apenas dinheiro. Em espécie. A defesa de Bacellar alega que o valor era "reserva para despesas da Alerj". Mas ninguém explicou por que o presidente da casa legislativa carrega quase cem mil reais em dinheiro vivo no carro. A PF não encontrou qualquer documento que comprove essa justificativa.

Bacellar passou a noite de 3 de dezembro na superintendência da PF, na zona portuária. O mandado de prisão foi assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que citou "fortes indícios" de que ele integrava uma organização criminosa com influência no Poder Executivo estadual. Ou seja: não era apenas um caso de corrupção. Era um caso de poder institucional sendo usado para proteger o crime.

Quem decide o futuro de Bacellar? A Alerj

Agora, o destino de Bacellar depende da própria Assembleia que ele presidia. Na quinta-feira, 4 de dezembro, o presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), convocou uma sessão extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para 8 de dezembro. É lá que será decidido se ele será mantido no cargo ou se perderá o foro privilegiado — e poderá ser julgado como qualquer cidadão. A defesa de Bacellar já anunciou que vai apresentar provas de que "não houve qualquer intenção de obstrução". Mas até agora, nenhuma prova foi apresentada. Apenas negações.

A defesa de TH Joias, por sua vez, ainda não teve acesso completo ao processo. E isso levanta suspeitas. Por que, se não há culpa, o material não foi liberado? A PF diz que há centenas de mensagens, gravações e registros de movimentação financeira que ainda não foram divulgados. O que se sabe é que TH Joias responde por associação criminosa, tráfico, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de uso restrito. E que, por anos, circulou livremente entre a Alerj e o Complexo do Alemão.

Por que isso importa?

Por que isso importa?

Isso não é apenas um caso de corrupção. É um caso de Estado. Quando o presidente de uma casa legislativa — uma das instituições mais importantes da democracia — é acusado de ajudar um líder criminoso a fugir da justiça, o que se quebra não é só a lei. É a confiança. O cidadão comum não entende como alguém que jurou defender a Constituição pode, em segredo, ajudar a destruir provas de crimes que matam jovens, envenenam comunidades e enfraquecem a polícia. A PF encontrou o caminhão. Encontrou o dinheiro. Encontrou o celular. Mas o que ainda não encontrou é o que moveu Bacellar. Medo? Interesse? Lealdade? Ou tudo isso junto?

Na manhã de 8 de dezembro, a Alerj se reunirá. E o país vai assistir. Porque quando o poder legislativo se torna refém do poder criminoso, ninguém está seguro.

Frequently Asked Questions

Como foi comprovado que Bacellar vazou informações sobre a Operação Zargun?

A Polícia Federal analisou o celular de Rodrigo Bacellar e encontrou mensagens enviadas a TH Joias na véspera da operação, além de um registro de chamada no mesmo horário em que o ex-deputado enviou fotos dos agentes da PF em sua casa. Imagens de câmeras de segurança também mostram um caminhão de mudança retirando objetos da residência de TH Joias horas antes da prisão, confirmando a tentativa de destruição de provas.

Qual o papel de TH Joias na facção criminosa?

TH Joias atuava como elo entre o Comando Vermelho e o mundo legal. Lavava dinheiro, negociava armas de uso restrito, adquiria equipamentos antidrones e usava sua posição como ex-deputado para obter informações sigilosas. Sua influência dentro da Alerj permitia que a facção soubesse de operações policiais antes de acontecerem, facilitando a fuga e a destruição de provas.

Por que o ministro Alexandre de Moraes autorizou a prisão preventiva?

Moraes considerou "fortes indícios" de que Bacellar integrava uma organização criminosa com influência no Poder Executivo estadual. A combinação de contato constante com um líder do crime, acesso a informações sigilosas e a tentativa de obstrução da justiça configuram risco à ordem pública e à integridade das investigações, justificando a prisão sem julgamento.

O que acontece se a Alerj decidir manter Bacellar no cargo?

Mesmo se mantido no cargo, Bacellar não poderá exercer funções enquanto estiver preso. Mas manter o mandato significaria preservar seu foro privilegiado, o que dificultaria qualquer julgamento em primeira instância. A decisão da CCJ pode abrir caminho para sua cassação ou, se mantido, tornar a investigação mais complexa, já que o STF teria de autorizar cada etapa da ação penal contra ele.

Quem mais pode ser investigado nesse esquema?

A PF já identificou um delegado da própria Polícia Federal, policiais militares e ex-secretários estaduais e municipais envolvidos na Operação Zargun. A suspeita é de que o esquema de proteção a TH Joias era mais amplo, com apoio logístico e informativo dentro da estrutura do governo do Rio. Novos mandados podem ser expedidos conforme os dados forem analisados.

O que muda agora na política do Rio?

A prisão de Bacellar abriu uma fissura profunda na relação entre política e crime no estado. A população exige transparência, e a pressão por reformas na Alerj — como a criação de uma comissão de ética independente e a digitalização de todas as comunicações oficiais — cresce. Se a instituição não se limpar, corre o risco de perder toda a credibilidade perante os eleitores.

13 Comentários

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    Felipe Henriques da Silva

    dezembro 10, 2025 AT 13:42

    Isso aqui é o fim da linha pra quem acha que política é coisa limpa
    Quando o presidente da Alerj tá na lista de emergência de um traficante, não é corrupção, é sistema
    E ninguém quer encarar isso porque todos sabem que o mesmo jogo rola em todos os estados
    É só que agora o Rio mostrou o osso sujo debaixo do tapete
    Quem acha que isso é isolado tá dormindo com os olhos abertos

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    Fernanda Borges Salerno

    dezembro 10, 2025 AT 15:15

    90 mil em dinheiro vivo no porta-malas??? 😳
    Meu Deus, esse homem tá mais parecido com um capo da máfia do que um deputado
    Se eu tivesse esse dinheiro, comprava umas férias e umas roupas decentes, não ficava carregando como se fosse um banco ambulante 💸😂

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    Mariana Borcy Capobianco

    dezembro 11, 2025 AT 03:45

    o que mais me deixa com raiva é q a defesa dele diz q é reserva da alerj... cadê os comprovantes??
    se for verdade, por que n tem nota? por que n tem relatorio? por que n tem nada??
    isso é risivel e ao msm tempo assustador

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    Nat Ring McBrien

    dezembro 12, 2025 AT 05:08

    É só o começo... eles já estão apagando os servidores do governo, esperem pra ver o que vem aí
    Esse esquema é maior que o Rio, é nacional, e a mídia tá calada por medo
    Se você acha que isso é só um deputado, tá enganado
    Isso é um golpe de Estado disfarçado de corrupção
    Preparem-se, porque o pior ainda vem

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    Mateus Silviano

    dezembro 13, 2025 AT 19:23

    Esses deputado é tudo ladrão, não adianta fingir que tem um bom
    Se tá na Alerj, tá no bando
    Se não tá no bando, tá morto
    Esse Bacellar só foi pego porque foi burro
    Os outros tá rindo no banco da Suíça

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    Claudia Fonseca Cruz

    dezembro 15, 2025 AT 01:12

    É importante lembrar que a Alerj tem o dever moral de agir com transparência e responsabilidade
    A decisão da CCJ não é apenas técnica, é simbólica - ela define o rumo da democracia no estado
    Se mantiverem Bacellar, enviamos uma mensagem perigosa: que o poder protege o crime
    Se cassarem, mostramos que as instituições ainda têm força
    Escolha não é fácil, mas é necessária

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    Laryssa Gorecki

    dezembro 15, 2025 AT 04:21

    Eu não tô aqui pra defender ninguém, mas alguém já parou pra pensar que talvez ele tivesse medo?
    Medo de morrer, medo de sua família ser atingida, medo de ser o próximo na lista
    Isso não justifica, mas explica
    Se você acha que só por ser deputado ele é um monstro, você nunca viveu no Rio
    Esse sistema não é feito de indivíduos - é feito de sobrevivência
    E aí, quando você vê um homem com R$90 mil no carro, você não vê corrupção - você vê um homem com medo de ser o próximo a desaparecer

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    João Paulo Souza

    dezembro 16, 2025 AT 13:34

    Essa história me lembra de quando eu era criança e meus pais diziam: "não se mete com quem tem poder"
    Agora vejo que era pior do que eu imaginava
    Se o presidente da Alerj tá ligado no Comando Vermelho, então o que é o governo do estado?
    É um teatro? Um jogo de cartas marcadas?
    Alguém aqui já viu o número de mandados de busca que a PF já emitiu?
    É mais de 20, e ainda tem mais por vir
    Isso aqui é uma guerra, e nós, cidadãos, estamos na linha de frente
    É hora de não ficar só assistindo, mas de exigir mudanças reais
    Digitalização de comunicações, auditoria independente, transparência total
    Senão, daqui a 5 anos, a gente vai estar lendo o mesmo texto, só que com outro nome

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    Rhuan Barros

    dezembro 17, 2025 AT 17:33

    ...
    eu não consigo acreditar que isso tá acontecendo aqui.
    meu coração tá apertado.
    quando eu vi o vídeo do caminhão de mudança, eu chorei.
    isso não é política.
    isso é o fim da nossa esperança.
    eu só quero que alguém me diga que ainda dá pra mudar.
    por favor.

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    Vanessa Rosires

    dezembro 18, 2025 AT 11:35

    Meu avô sempre dizia: "quando o poder se mistura com o crime, o povo vira refém"
    Hoje, ele estaria chorando no sofá da sala
    Eu tô aqui pra dizer que não estamos sozinhos
    Tem gente no interior, no norte, no sul, que tá vendo isso e tá se levantando
    Se a Alerj não agir, a sociedade vai agir
    É só questão de tempo
    Estamos acordando, e não vamos voltar a dormir
    💙

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    Tatiana Taty

    dezembro 19, 2025 AT 12:24

    Esses deputado são todos iguais, só que esse foi pego com a mão na massa 😒
    Se ele tivesse sido esperto, teria mandado o dinheiro pro exterior e deixado umas caixas vazias no carro
    Mas não, ele é um amador
    Quem tem dinheiro verdadeiro não carrega na mala, né? 🤦‍♀️💸

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    Ricardo dos Santos

    dezembro 21, 2025 AT 12:21

    É inegável que a gravidade do caso exige uma resposta institucional de caráter inquestionável.
    Os elementos probatórios apresentados pela Polícia Federal - desde a comunicação telefônica em horário crítico até a posse de capital em espécie sem justificativa documental - configuram um padrão de conduta que transcende a mera irregularidade administrativa.
    Este não é um caso de corrupção isolada, mas um colapso sistêmico da integridade institucional.
    As normas éticas que regem o exercício do mandato legislativo não são meras conveniências; são pilares da democracia representativa.
    A manutenção do foro privilegiado sob tais circunstâncias representa uma violação da igualdade perante a lei, princípio constitucional fundamental.
    A Comissão de Constituição e Justiça não está decidindo apenas sobre um indivíduo - está definindo o limite entre o poder e a impunidade.
    Se a instituição falhar, a confiança pública não será restaurada por qualquer reforma futura.
    Os cidadãos não exigem vingança; exigem coerência.
    A ausência de documentação para os R$90.000 em espécie não é um erro técnico - é um sinal de desrespeito à ética pública.
    Os dados de telemetria do celular, correlacionados com os registros de câmeras de segurança, formam um arcabouço probatório que não admite interpretação alternativa.
    A defesa de Bacellar, até o momento, não apresentou qualquer evidência contrária - apenas negações retóricas.
    Portanto, a única decisão racional, jurídica e moralmente sustentável é a cassação imediata do mandato.
    E isso não é uma opinião - é uma conclusão lógica diante dos fatos.

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    Carlos Silva

    dezembro 21, 2025 AT 14:26

    ...e o delegado da PF que tá envolvido?...
    ...e os policiais militares que deram dica?...
    ...e os secretários que liberaram os documentos?...
    ...e o procurador que fechou os olhos?...
    ...e o juiz que não mandou prender antes?...
    ...e a mídia que só fala disso agora?...
    ...e o governo que não fez nada desde 2020?...
    ...e o eleitor que votou nisso tudo?...
    ...e você que tá lendo isso e não tá fazendo nada?...
    ...e o sistema?...
    ...o sistema tá vivo...
    ...e tá rindo...
    ...porque ele sabe que você vai esquecer...
    ...e ele vai continuar...
    ...porque ninguém nunca faz nada...
    ...até o próximo caso...
    ...e aí você vai dizer...
    ..."não sabia"...
    ...mas você sabia...
    ...e você fez nada...
    ...e agora?...
    ...o que você vai fazer agora?...

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