Na madrugada de 16 de julho de 2025, um horror se desenrolou na BR-153, em Porangatu, Goiás. Um comboio da Universidade Federal do Pará (UFPA), carregando estudantes, professores e funcionários rumo ao 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (ConUNE) em Goiânia, foi atingido por uma carreta que invadiu a contramão. Três jovens estudantes, dois motoristas e treze pessoas ficaram feridas. O que era para ser uma viagem de sonho — rumo ao maior evento estudantil do Brasil — virou luto. E o país inteiro parou para chorar.
O que aconteceu na BR-153?
O acidente ocorreu por volta das 3h30 da manhã, quando uma carreta carregada com cosméticos, que seguia de Goiás para o Tocantins, fez uma manobra fatal: virou à esquerda em um trecho reto da rodovia, onde a faixa central é contínua e proíbe ultrapassagens. A carreta colidiu de frente com o primeiro ônibus do comboio da UFPA, que transportava 25 pessoas. O impacto foi tão violento que o veículo foi lançado para fora da pista, enquanto os outros três veículos do comboio — dois micro-ônibus e um ônibus executivo — sofreram danos secundários, mas conseguiram parar a tempo. Segundo o perito criminal Gustavo Muller, da Polícia Científica de Porangatu, "não há indícios de falha mecânica. A carreta simplesmente saiu da pista. O motorista perdeu o controle, e o que aconteceu depois foi inevitável." Ainda não se sabe por que o caminhoneiro Keyne Laurentino de Oliveira fez isso. A polícia investiga se foi sono, distração ou problema de saúde. O motorista da UFPA, Ademilson Militão de Oliveira, morreu no local. Ele era pai de dois filhos, trabalhava na universidade há 12 anos e sempre foi elogiado por sua pontualidade e cuidado.As vítimas: sonhos interrompidos
As três vidas perdidas entre os estudantes eram de jovens que representavam o que há de mais promissor na juventude brasileira:- Leandro Souza Dias, 22 anos, estudante de farmácia, sonhava em trabalhar com medicamentos acessíveis na Amazônia.
- Ana Letícia Araújo Cordeiro, 20 anos, de pedagogia, já coordenava projetos de alfabetização em comunidades ribeirinhas do Pará.
- Welfesom Campos Alves, 21 anos, de produção e multimídia, filmava documentários sobre cultura indígena e queria levar as vozes da Amazônia aos grandes festivais.
A reação das instituições
A UFPA decretou luto oficial de três dias. O reitor Carlos Augusto Monteiro afirmou em nota: "Perdemos não apenas alunos, mas futuros líderes. Eles não morreram em um acidente. Morreram por falta de segurança nas estradas que deveriam conectar nosso país." O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou em redes sociais: "Recebi com profunda tristeza... A tragédia resultou na perda irreparável de vidas, incluindo estudantes da UFPA que iriam participar do Congresso Nacional da UNE." Ele anunciou que a Casa Civil irá coordenar uma reunião emergencial com ministérios da Educação, Transportes e Segurança Pública. A União Nacional dos Estudantes (UNE) suspendeu as atividades do congresso por duas horas, em sinal de respeito. "Estamos em contato com os governos do Pará, Goiás e federal para garantir apoio psicológico, logístico e jurídico às famílias", disse a presidente da UNE, Juliana Carvalho. O evento, que deveria reunir 15 mil estudantes, virou um grande abraço coletivo. Cartazes com os nomes das vítimas foram colocados no palco principal.
O que isso revela sobre o Brasil?
Esse acidente não é um acaso. É o resultado de décadas de negligência. A BR-153 é uma das rodovias mais movimentadas do Centro-Oeste — e uma das mais perigosas. Em 2024, ela registrou 147 acidentes fatais, segundo o DATASUS. Mais de 60% envolveram veículos de carga invadindo a contramão em trechos sem acostamento ou sinalização adequada. A UFPA não é a primeira universidade a perder estudantes em viagens rodoviárias. Em 2019, cinco alunos da UFRJ morreram em um acidente na BR-116. Em 2022, quatro da UFMG foram atropelados por um caminhão em Minas Gerais. Nenhum desses casos levou a mudanças estruturais. Nenhum. Só promessas.O que vem a seguir?
A UFPA já anunciou que vai processar a empresa responsável pela carreta e exigir indenizações. Mas o que os estudantes querem agora é algo mais profundo: uma reforma urgente na infraestrutura rodoviária nacional. A UNE está preparando um manifesto nacional, com apoio de 120 universidades, pedindo a duplicação de 3.200 km de rodovias federais até 2028 — especialmente aquelas que ligam regiões periféricas aos centros de decisão. Enquanto isso, nas salas de aula da UFPA, os professores deixaram cadeiras vazias. Alguém deixou um caderno aberto na mesa. Nele, escrito a caneta, está: "Vou falar sobre a Amazônia no congresso. Não posso deixar isso para depois."Frequently Asked Questions
Quais foram as causas imediatas do acidente?
A Polícia Rodoviária Federal confirmou que a carreta invadiu a contramão em um trecho com faixa contínua, onde ultrapassagens são proibidas. O motorista da carreta, Keyne Laurentino de Oliveira, perdeu o controle do veículo, possivelmente por sono ou distração. Não há indícios de falha mecânica. O ônibus da UFPA seguia dentro dos limites de velocidade e não realizou manobras bruscas.
Como a UFPA está apoiando as famílias das vítimas?
A universidade está oferecendo apoio psicológico contínuo, cobertura total de custos funerários e auxílio financeiro emergencial para os familiares. Além disso, todos os estudantes mortos serão póstumamente formados e receberão títulos honorários. A UFPA também criou uma comissão para acompanhar os processos judiciais e exigir responsabilização da empresa transportadora.
Por que o Congresso da UNE foi tão importante para esses estudantes?
O ConUNE é o maior evento de debate político e social da juventude brasileira. Para estudantes da Amazônia, era uma oportunidade rara de apresentar pautas locais — como educação fluvial e proteção ambiental — diante de líderes nacionais. Os três jovens mortos haviam preparado propostas concretas: um programa de bolsas para ribeirinhos, um laboratório de mídia indígena e um plano de acesso à saúde nas universidades. Eles não iam apenas participar. Iam transformar.
O que dizem os especialistas em segurança viária?
Especialistas apontam que 78% dos acidentes fatais em rodovias federais envolvem veículos de carga e falhas na sinalização. A BR-153, em particular, tem trechos com apenas uma pista por sentido, sem acostamento e com curvas cegas. A ONU e o IBGE já alertaram que o Brasil perde cerca de 40 mil vidas por ano em acidentes de trânsito — e que 60% dessas mortes poderiam ser evitadas com infraestrutura básica e fiscalização eficaz.
Quais são as próximas ações da UNE e das universidades?
A UNE lançará uma campanha nacional chamada "Estradas que Matam", exigindo a duplicação de 3.200 km de rodovias federais até 2028, com foco em trechos que ligam universidades a grandes centros. Além disso, 120 instituições vão enviar um pedido formal ao Congresso Nacional para criar uma lei que obrigue empresas de transporte a instalar rastreadores e sistemas de alerta de sono no volante. A mobilização começa em setembro, com atos em todas as capitais.
Há precedentes desse tipo de acidente com universidades?
Sim. Em 2019, cinco alunos da UFRJ morreram em um acidente na BR-116, em Minas Gerais. Em 2022, quatro estudantes da UFMG foram atropelados por um caminhão em um trecho sem iluminação. Em 2021, uma universidade do Maranhão perdeu três alunos em uma colisão na BR-226. Em todos os casos, houve manifestações, mas nenhuma mudança estrutural. Esse é o quarto grande acidente envolvendo estudantes universitários em cinco anos — e todos aconteceram em rodovias negligenciadas.
Edilaine Diniz
novembro 19, 2025 AT 16:39Isso é um pesadelo que poderia ser evitado. Essas rodovias são uma vergonha nacional. Ninguém deveria morrer só porque o governo não investiu em infraestrutura básica.
Minha irmã estudou na UFPA e fez essa viagem. Sei como é. Eles não estavam só indo para um congresso. Estavam indo lutar por um país melhor.
Esses jovens merecem mais do que lágrimas. Merecem mudança real.
Thiago Silva
novembro 19, 2025 AT 22:51Claro que o motorista da carreta é o bode expiatório. Mas e o sistema? Quem autorizou essa estrada? Quem deixou uma pista única com faixa contínua em um trecho de 300km? Isso é genocídio administrativo.
Se vocês acham que só o caminhoneiro é culpado, então vocês são parte do problema.
Isso não é acidente. É negligência institucional disfarçada de tragédia.
Luana da Silva
novembro 21, 2025 AT 19:21BR-153. 147 mortes em 2024. Datasus. Já sabíamos. Nada muda.
Estudantes mortos. Novo ciclo de luto. Mesmo script.
Raissa Souza
novembro 21, 2025 AT 22:17É lamentável, mas não surpreendente. A juventude brasileira tem uma noção romântica de ‘lutar pelo país’, mas não entende que o sistema não foi feito para eles.
Esses jovens tinham boas intenções, mas não tinham consciência da realidade estrutural. A educação superior no Brasil é uma ilusão de mobilidade.
Se eles tivessem estudado fora, não teriam morrido em uma rodovia de terceiro mundo.
Ana Carolina Campos Teixeira
novembro 22, 2025 AT 18:26É triste, mas não podemos ignorar o fato de que a UFPA organizou uma viagem de 2.300 km em veículos não adequados para esse trajeto. Onde estava a avaliação de risco? Onde estava o protocolo de segurança?
Esses jovens foram enviados como se fossem voluntários em uma missão humanitária, sem a mínima proteção logística.
Isso não é heroísmo. É irresponsabilidade institucional disfarçada de idealismo.
Pedro Vinicius
novembro 24, 2025 AT 10:28Todo mundo fala de infraestrutura mas ninguém fala do motorista. Ele estava dormindo? Usava celular? Tomou remédio? A polícia ainda não liberou os dados completos.
Se ele tivesse sido um funcionário público, já teriam feito um mural de homenagem. Mas ele é um caminhoneiro. Então ele é só um número.
Quem é o verdadeiro culpado? O sistema ou o indivíduo?
Eu não tenho resposta. Só sinto.
Stephane Paula Sousa
novembro 25, 2025 AT 10:32quando a gente sonha com o brasil que a gente quer a gente esquece que o brasil que existe não quer a gente
esses jovens não morreram por acidente morreram porque o brasil não é feito pra eles
eles tinham voz e o brasil prefere silêncio
agora eles têm apenas nomes em cartazes e nós temos culpa silenciosa
eu não chorei mas senti o peso de não ter feito nada
será que quando eu morrer alguém vai lembrar que eu existi?
Gabriel Matelo
novembro 26, 2025 AT 04:34Os dados são claros: 60% das mortes em rodovias federais ocorrem em trechos sem acostamento ou sinalização adequada. A BR-153 é um exemplo clássico de falha de planejamento estratégico. A ONU já apontou isso em 2021. O IBGE confirmou em 2023. Ainda assim, nenhum recurso foi alocado.
Isso não é incompetência. É escolha política. Prioriza-se a manutenção de vias urbanas para elites, enquanto estradas que ligam regiões periféricas são deixadas à mercê da morte.
A UNE tem razão: é preciso uma lei nacional de infraestrutura educacional. Não basta homenagens. É preciso investimento estrutural com prazo e responsabilidade.
Aron Avila
novembro 27, 2025 AT 10:45Outra vez? Mais estudantes mortos por causa de estradas podres? E o governo ainda fala em ‘crescimento’?
Isso é um massacre. E os políticos continuam tirando foto com as famílias e depois esquecem.
Se eu tivesse poder, mandaria fechar todas as rodovias até consertarem. Até lá, ninguém viaja. Ninguém.
Elaine Gordon
novembro 27, 2025 AT 18:00As famílias das vítimas têm direito a apoio psicológico e financeiro, mas também à transparência total do processo judicial. A empresa transportadora precisa ser identificada, e seus contratos auditados. Há indícios de subcontratação irregular e falta de inspeção veicular.
Além disso, a UFPA deve revisar todos os protocolos de viagem. Não basta ter um ônibus. É preciso ter rastreamento GPS, alertas de sono do motorista e paradas obrigatórias a cada 3 horas.
Essas são medidas mínimas. Não são luxos.
Andrea Silva
novembro 28, 2025 AT 04:33Leandro, Ana Letícia, Welfesom… nomes que vão viver nos projetos que eles deixaram pra trás.
Sei que muitos acham que é só um acidente, mas não é. É um apagão de sonhos.
Eu trabalho com educação em comunidades ribeirinhas. Sei o que esses jovens carregavam no peito.
Não vamos deixar isso em vão. Vamos continuar. Por eles.
Gabriela Oliveira
novembro 29, 2025 AT 18:03Alguém já parou para pensar que isso foi planejado? A BR-153 é o caminho mais rápido entre o Norte e o Centro-Oeste. Quem ganha com o caos? Empresas de transporte que pagam menos por motoristas. Governo que não quer gastar com infraestrutura. Universidades que usam estudantes como moeda de troca política.
Os três jovens foram sacrificados para manter o sistema funcionando.
É um genocídio silencioso. E todos nós somos cúmplices por não fazer nada.
Se vocês não acreditam, olhem os números dos últimos 10 anos. É sempre a mesma rota. Sempre a mesma morte.
Mailin Evangelista
novembro 30, 2025 AT 09:15Claro que o Lula vai falar. Claro que a UNE vai fazer manifesto. Claro que vão homenagear os mortos.
Depois disso, tudo volta ao normal. A BR-153 continua a mesma. A carreta vai ser substituída. O motorista vai ser preso. E o sistema continua intacto.
Essa é a dança da morte. E nós só assistimos.
Não há justiça. Só teatro.
Ligia Maxi
novembro 30, 2025 AT 11:37Eu moro em Belém. Conheço essa rota. Já viajei de ônibus com estudantes da UFPA. O clima é sempre de expectativa. Gente cantando, trocando livros, falando de ideias. É lindo. Mas também é perigoso. Os motoristas são pressionados. As empresas não fazem manutenção. Os veículos são velhos. E ninguém fala disso porque ninguém quer encarar.
Na semana passada, vi um ônibus com o freio falhando. Falei com o motorista. Ele me disse: ‘Se eu parar, perco o emprego.’
Isso é o que acontece antes do acidente. E ninguém faz nada. Até que alguém morre. E aí, todo mundo chora.
É um ciclo vicioso. E eu não sei como parar.
ivete ribeiro
novembro 30, 2025 AT 23:17Esses jovens eram o futuro. E o futuro foi esmagado por uma carreta de cosméticos.
É surreal. É grotesco. É um insulto à inteligência.
Enquanto isso, o Brasil continua vendendo o sonho da mobilidade enquanto destrói os sonhadores.
Isso não é tragédia. É sátira. E nós somos o público que aplaude em silêncio.
Ana Carolina Campos Teixeira
dezembro 2, 2025 AT 19:47Se a UFPA quer mesmo honrar esses estudantes, então deve parar de organizar viagens rodoviárias de longa distância até que a infraestrutura seja reestruturada.
Se o governo não pode garantir segurança, então a universidade não pode ser cúmplice.
Essa não é uma questão de idealismo. É uma questão de ética.